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Elba Ramalho - Paisagem (1995)

Há uma espécie de alegria nas estradas, nos desertos, nas trovoadas. Há uma espécie de desafio na flor branca do mandacaru, e de atrevimento no mato-pasto que cobre a caatinga com as primeiras chuvas. Há uma espécie de alegria na pedra. Há uma espécie de tristeza nos chocalhos que se ouve no sertão. Que a gente ouve mas não sabe de onde vem; e que finca o sertão na gente. Eu ouvi isso em Metéora, na Grécia, e não sabia se vinha de mim ou das montanhas. É uma espécie de suspiro, de pontuação do planeta. Esses chocalhos definem uma paisagem. Paisagem que vem pelo ouvido. Que passa da terra pra gente pelo som. É assim a carreira de Elba: de terra e sons. Sons que, do fundo da dureza e da força de horizontes que nunca se acabam - horizontes que só na as imensidões do Nordeste tem - fazem como que pontos. Um ponto aqui. Um eco acolá. Como cancelas. Cancelas que cortam cercas, abrem caminhos, e espalham paisagem por todo canto. E espalham paisagem em cantos que possam contê-la e suportá-la. Paisagem menos de coisa e feitio; paisagem que se sabe a som e cor: amarelos, encarnados, azuis. É assim o disco de Elba: de amarelos, de encarnados, de azuis. E paisagem é coisa efêmera, palavra de feminino. Feminino e singular, como o disco de Elba.

Faixas:
01. Proibir pra quê
02. Paisagem na janela
03. Caranguejo dance
04. O bom da vida
05. Eu quero é botar meu bloco na rua (Versão ska, pop)
06. Nascido em 22 de abril
07. Incendia, incendiê
08. Água fria
09. A massa
10. Tudo passa
11. Que baque é esse?
12. Acaba quando começa
13. Eu quero é botar meu bloco na rua (Versão forró, frevo)
14. Contradições

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